sábado, 31 de outubro de 2009

Exemplares

Passamos livres roubando seu ar
queremos pular nas cabeças de nossos fãs
Até que não possam mais aguentar
e comecem a chorar sem parar
Eles nos querem por perto.

Vamos, agéis, ordenar que movam
centímetros para a direita da esquerda
nossos quadros pintados pelo avesso
por pintores sem mecenas nem direitos
Eles precisam do meu ar

Queremos duas dessas pra ontem
muito bem pagas para nos fazer voar
aqui onde a vergonha não existe
e o músculo aniquila quem resiste
Todos são pagos para pagar

Somos reis do seu império
Estampamos livros de filhos carentes
Representamos marcas de pasta de dentes
Ou mesmo interpretamos doentes
Satisfazendo os prazeres de um cachê inexistente
Estamos cada vez mais perto do seu céu

Desde quando você pode me tocar?
Ousadia é excesso de realidade
Realidade é a falta de sucesso
Toneladas sujas de papéis em processos
Rejeitamos viver do seu podre progresso

Somos a relíquia do seu universo
Aquele assunto de segunda-feira
Pesada ansiedade de véspera que rodeia
Brega citação do eros em seu verso






sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Ao menos

Desde cedo já surge a suja sede de sempre
Sonoro som do seu sonho recente
Me guiando entre os poucos encontros do dia
Destruindo meu ego ao método xiita

Ao menos serei seu vulto de um dia atrás
Acostumado em ser sua estátua de praça
Sua piada no namoro mais que supérfluo
Leve impressão de matéria no vácuo

Que seja assim onde puder
Que seja podre onde aguentar
Que seja impessoal onde compreender
Que seja a hora de parar

Eu não vou reaparecer
Voltar da busca do seu som
Para poder descobrir
tudo você esconde sob seu colchão